Sabe aquela parcela do imóvel que ficou mais cara do que você imaginava por conta de um índice de INCC? Você analisa o contrato e vê um valor diferente da mensalidade a ser paga. Existem diversos fatores que podem ter gerado este custo e um deles você verá agora. Conheça o INCC e saiba porque seu imóvel ficou mais caro durante a construção.

Calculado mensalmente pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), o INCC é utilizado como base para o reajuste do valor dos imóveis habitacionais em construção, justamente para que acompanhe o aumento do preço dos materiais, mão-de-obra e matéria prima, uma vez que sofrem alterações ao longo da obra.

O INCC é aplicado nos casos onde há financiamento do imóvel em construção. Se o comprador optar pelo pagamento à vista, não sofrerá o reajuste. Já para os que optarem por uma entrada, com o financiamento do valor restante, o INCC será incidido sobre todo o saldo devedor, até o seu quitamento total.

Logo, o valor do montante final do imóvel não será o mesmo da assinatura do contrato de compra e venda. É preciso ficar atento a este detalhe, pois muitos são pegos de surpresa e acabam não entendendo a cobrança, ou em casos piores, não se planejam e a dívida se torna uma bola de neve.

A sigla INCC significa Índice Nacional de Custos da Construção. É o índice que mede a variação dos preços de materiais, mão-de-obra e matéria prima da construção civil.

CÁLCULO DO INCC

Normalmente, o reajuste é baseado no índice de dois meses atrás. Veja um exemplo abaixo com base na tabela do INCC de 2014:

Utilizaremos o mês de dezembro como base para o cálculo em primeiro momento. Vemos que o INCC de dezembro fechou em 0,25%. Vamos fazer a seguinte simulação:

  • Mês de pagamento: Fevereiro/2015
  • Mês de referência do INCC: Dezembro/2014
  • Valor total do imóvel: R$300.000,00
  • Valor de entrada: R$100.000,00
  • Valor financiado: R$200.000,00

Suponhamos que o financiamento do valor restante (R$200 mil) seja de 200 parcelas de R$1.000,00 (este é apenas um exemplo, sem cobrança de juros bancários e outros encargos).
Como o INCC de dezembro fechou em 0,25%, esta porcentagem será calculada sobre os R$200 mil. Com o reajuste, o saldo devedor sobe para R$200.500,00. Logo, as parcelas também sofrem aumento e ficam em R$1002,50. Após o pagamento desta primeira mensalidade temos:

R$200.500,00 – R$1002,50 = R$ 199.497,50

Perceba que, mesmo pagando a primeira parcela, o novo saldo devedor ficou maior do que o esperado, que na lógica, seria de R$ 199.000,00.

No mês seguinte, em março, será calculado o reajuste de acordo com o INCC de janeiro. Este cálculo é feito sobre o montante já reajustado no mês anterior, descontado pela parcela de fevereiro que já foi paga. Ou seja, será calculado 0,70% (INCC de janeiro) sobre R$199.497,50, totalizando o montante em R$200.893,98 e uma nova parcela no valor de R$1009,52. Restarão então 199 parcelas no valor de R$1009,52.

R$200.893,98 – R$1009,52 = R$ 199.884,46

Agora, o saldo devedor, de R$199.844,46, está bem próximo do montante financiado de R$ 200 mil, mesmo cumprindo o pagamento das duas primeiras parcelas.

O reajuste ocorrerá em todos meses, até que a obra seja finalizada ou o saldo seja quitado.

OBSERVAÇÕES

  • O INCC também é incidido sobre os balões, as chaves e outros valores que podem surgir na negociação;
  • A cobrança é realizada até o término da obra ou da quitação;
  • O reajuste é realizado sobre o saldo devedor e não sobre o valor total do imóvel;
  • A melhor forma de não ter surpresas é através do conhecimento e do planejamento.

Fonte: Lopes

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